A Vila das Artes em parceria com a Quitanda das artes e os Laboratórios Culturais promoveu o Seminário Outros Olhares, ocorrido nos dias 26 e 27 de outubro, em Fortaleza. Artistas e agentes culturais de diversos segmentos foram convidados a pensar a sustentabilidade na produção cultural latino-americana.

A palestra de abertura ficou por conta de Luiz Fuganti, filósofo da Escola Nômade de Filosofia (RJ), que trouxe uma reflexão acerca da Arte como produção do si.

Fuganti levantou questões que atravessam problemáticas atuais do fazer artístico e político no Brasil.

“A esquerda ainda reproduz um modo de desejar conservador, e de direita. O golpe é sustentado por um modo de existir que precisa desse mesmo Estado que o promove. Devemos fazer uma crítica destrutiva a isso, para que possamos transcender, conquistar força de existência”, afirma.

Dentre outras conexões filosóficas com o cenário político que o país enfrenta atualmente, Fuganti ressalta a importância da construção da autonomia como principal ferramenta de transformação sociocultural. “Por que se faz arte e cultura? A condição do fazer artístico não pode ser de sobrevivência, mas, da vida em si. O ideal de futuro precisa ser trazido para o agora, pois nós aprendemos a banalizar o acontecimento. Precisamos entender que a pista de dança, quem constrói é o dançarino, ao dançar”, completa.

A fala inspiradora do filósofo abre as discussões sobre produção independente, frisando sobre a arte como uma produção de sensação emancipadora.

Na mesa sobre Experiências de Produção Independente, Alexandre Barreto, produtor cultural independente (RJ), abordou sua experiência individual, sobre como foi construindo estratégias na organização de eventos e prestação de serviços. Alê Barreto, como é conhecido, divulgou também o seu livro “Como Organizar um Show” (assista ao vídeo) dando dicas para aqueles que estão ingressando no mundo da produção cultural.

“Quando você faz tudo, fica tudo mal feito”, é o que diz Eduardo Félix, do Grupo Pigmalião (MG), que trouxe à mesa uma visão coletiva da produção cultural independente. Uma das estratégias de sustentabilidade do Grupo se dá através de oficinas e o compartilhamento de conhecimentos, numa divulgação direta do trabalho desenvolvido com teatro de bonecos, ou “esculturas que se mexem”, como o próprio Eduardo Félix apresenta.

Para encerrar o primeiro dia de seminário, Alemberg Quindins mostrou o trabalho desenvolvido na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda (CE), região do Cariri. Pensando a sustentabilidade cultural, Alemberg apontou a importância de entender as territorialidades e as riquezas já existentes no interior do estado, antes de pensar em novos empreendimentos. “A gente tá vivendo uma crise de conteúdo e de memória. Nós estamos num país onde o ministério da cultura é a Globo, que dita as  coisas pro povo”, afirmou. A discussão se desenvolveu em torno das possibilidades de investimento culturais alinhadas a demandas do ambiente e população pertencente ao local onde as iniciativas culturais pretendem ser realizadas.

Fonte: Quitanda das Artes - Agência e Produtora Cultural